05 março 2007

Mulheres, desemprego e trabalho

As mulheres sofrem mais do desemprego , mas raramente lhes falta trabalho, com os afazeres em casa e o cuidado das crianças e dos idosos da família.

Com tanta ocupação não remunerada, as jovens raparigas acabam por ter pouca orientação para o mercado de trabalho, isto é, prestam pouca atenção às qualificações para as quais há mais procura. E o trabalho remunerado que existe tem cada vez mais a forma de projectos e tarefas do que empregos formais tradicionais de longa duração.

Em Portugal, o desemprego feminino aumentou de 8,7% em 2005 para 9% no final de 2006. Entre os homens assinalou-se uma descida de 6,7%, em 2005, para 6,5%. Segundo o INE, o aumento do desemprego fez-se sentir em todas as faixas etárias, mas foi mais evidente entre indivíduos com o Ensino Básico e Superior completos, tendo diminuído ligeiramente entre a população activa com os níveis de escolaridade secundário e pós-secundário.

Entre as mulheres desempregadas encontramos dois grandes grupos:
- Operárias de 40 anos ou mais cujas fábricas fecharam e com pouca capacidade de readaptação devido às baixas qualificações consistindo apenas do ensino básico, ou no máximo até o 9º ano, uma herança de anos de sub-investimento na educação.
- Licenciadas em cursos não-técnicos como história, línguas, sociologia, ou comunicação para os quais há pouca procura, o resultado do investimento na educação errada.

Alguns casos ilustram a crise na orientação vocacional das raparigas que leva as jovens a afastarem-se de cursos mais práticos e mais técnicos, geralmente porque exigem mais matemática:

- Quando um Centro de Dia para idosos no interior quiz contratar uma assistente social, só apareceram candidatas interessadas em cuidar de crianças. Ao ver o conteúdo dos cursos de assistente social em Coimbra, verificou-se que a formação de assistentes sociais continuava focada no apoio a crianças, de que há cada vez menos, e praticamente ignorava os idosos, de que há cada vez mais. Parecia que nem os formadores nem as formandas compreendiam bem as implicações da pirâmide etária para o mercado de trabalho.

_ Num dos Politécnicos do interior o óptimo curso de gestão tem falta de alunos, mas o curso de marketing está permanentemente cheio. No entanto, na região existe procura não satisfeita de contabilistas . Mas os cursos de contabilidade exigem mais matemática e não têm o glamour da publicidade e das relações públicas.

Que recomendar às jovens de 14-15 anos que estão a fazer opções escolares com implicações para toda a sua vida de trabalho?
- Focar no importante: matemática, matemática, matemática ...e línguas
- Desenvolver versatilidade, mais que uma especialidade, para facilitar a reciclagem profissional no futuro
- Trabalhar para a excelência, as melhores têm sempre lugar
- Estudar o mercado de trabalho e adaptar-se à procura
- Aproveitar trabalho flexível, ao projecto ou tarefas de curta duração criando uma "carteira de competências" e reforçando o marketing pessoal tipo "free-lancer" ou trabalhador independente - Apostar na reciclagem profissional e formação contínua
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