30 março 2014

Tese menciona trabalho das soroptimistas contra violência doméstica



Excerto da tese de doutoramento de Mariana P. R. Azambuja, da Universidade do Minho, sobre
Violência de Género e os Discursos Circulantes nos Cuidados de Saúde Primários refere o trabalho notável do Clube Soroptimist International Porto Invicta. 
PARABÉNS!  
Ver http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/8506/1/tese%2520mariana%2520azambuja.pdf
CITAÇÃO
Uma última organização  não-governamental que tem intervido no problema da violência contra as mulheres em Portugal é o Soroptimist Internacional. Actualmente é a mais antiga (desde 1921) organização  mundial feminina de clubes de intervenção  social, contando com cerca de 3.000 Clubes, em mais de 100 países, reunindo 100.000 mulheres. O Soroptimismo surgiu em Portugal no ano de 1985, em Lisboa e, actualmente, existem os seguintes Clubes: Lisboa I, Lisboa II, Porto, Setúbal, Estoril/Cascais e Évora.

O Clube Soroptimist Porto  -  Invicta nasceu a 8 de Abril de 1994 e faz parte da União Soroptimist de Portugal, que se integra na Federação  Soroptimist da Europa. Desde a sua constituição , o Clube Soroptimist Porto-Invicta optou pelo trabalho focado no problema da violência contra as mulheres e as crianças , em particular a que ocorre na família . 

Seu primeiro projecto foi a construção  de uma residência temporária para mulheres e crianças vítimas de violência doméstica , o Porto d’Abrigo. Para que sua constituição  fosse possível, o Clube Porto-Invicta contou com o apoio do Ministério da Justiça, do Ministério do Trabalho e Segurança Social, da Câmara Municipal do Porto (ao abrigo do decreto-lei 323/2000, de 19 de Dezembro) e de diversas colaboradoras  voluntárias. Funcionando desde Fevereiro de 2004 no centro da cidade do Porto, a residência é gerida pelo próprio Clube. Possui capacidade para acolher 16 mulheres e seus filhos (em simultâneo), sendo financiada por Acordo Típico com o Centro Distrital de Segurança  Social do Porto.

Depois da construção  do Porto d`Abrigo, foi desenvolvido o Projecto Estrada Larga   -  caminhos para família s sem violência, entre Outubro de 2003 e Março de 2005. Seu objectivo inicial era sensibilizar, directa e pessoalmente, cerca de 24 mil pessoas para os problemas criados pela violência doméstica  e lev•-las a tomar uma nova atitude perante essa violência, fomentando a protecção  das vítimas e a mudança de comportamento dos agressores. Seu público foi a comunidade em geral, técnicos(as) que lidam com a problemática, alunos do 9º ano de escolaridade e alunos do Ensino Superior. Abrangendo 51 concelhos dos distritos de Aveiro, Braga e Porto, nos seus 18 meses de execução , o projecto  

acabou por chegar a mais de 30 mil pessoas, contando com cerca de 200 parceiros (Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Escolas, Universidade, Associações, Misericórdias, etc.). A avaliação  final do projecto foi bastante positiva, uma vez que conseguiu unir diferentes sectores da comunidade em torno da vítimas     pública sobre a violência doméstica.
O Projecto Novo Rumo -Por uma Vida Sem Violência  surgiu da experiência adquirida com o Projecto Estrada Larga e do Porto d’Abrigo quanto ‡ necessidade de criar infra-estruturas que permitam um apoio próximo e constante a mulheres vítimas de violência doméstica . 

Para alcançar esse objectivo, foram estabelecidas quatro áreas de intervenção  distintas:
Acção  1 - Cria de um centro piloto de vítimas     e acompanhamento a vítimas  de violência doméstica 
Acção  2  -  Criação  de centros de vítimas     e acompanhamento a vítimas  de violência doméstica  nas Juntas de Freguesias (de cinco a dez centros);
Acção  3  -  Definição    de políticas institucionais e normativos de Acção  em mÉdias/grandes empresas e outras instituições  (de quatro a seis instituições ); Acção  4  -  Criação  de casas-abrigo, por iniciativa das Câmaras Municipais, em eventual parceria com instituições  da sociedade civil (de duas a quatro casas-abrigo).

A operar nos distritos de Aveiro, Braga e Porto (que, segundo dados do Projecto Inovar, representam cerca de 30% da população  portuguesa e apresentam cerca de 34% do total de ocorrências de violência doméstica  registadas na GNR e PSP), actuou entre Outubro de 2004 e Maio de 2006, através da sensibilização, a fim de que todo o trabalho desenvolvido se prolongue no tempo. Além disso, e uma vez que se encontra vocacionado para a transferência de competências, mormente no que diz respeito aos Centros de Vítimas e Acompanhamento, o Projecto Novo Rumo não  se esgota nas suas balizas temporais. Seu balanço final permitiu constatar que o Projecto realizou, com Êxito, todas as actividades previstas, ultrapassando os objectivos inicialmente propostos, sob os pontos de vista qualitativo e quantitativo. 

Para tal contribuiu, o empenho da equipe do projecto e o envolvimento e compromisso com os decisores institucionais, responsáveis políticos e de referência da comunidade através da criação  de serviços de proximidade dirigidos ‡s vítimas  e de outras estruturas de segurança  e apoio. Além da realização  de estágios curriculares de duas finalistas das licenciaturas em Psicologia (Universidade Fernando Pessoa) e Educação  Social (Instituto Politécnico do Porto), houve amplo apoio da comunicação  social na divulgação  das actividades do projecto (foram publicados 112 artigos na imprensa escrita portuguesa sobre o projecto, bem como concedidas entrevistas em rádios locais) e criou-se uma efectiva rede de colaboração  entre as instituições  parceiras. No que diz respeito ao atendimento ‡s mulheres, implantou-se apartamentos de transição  no Distrito do Porto, criaram-se 16 Centros de Vítimas e Acompanhamento a Vítimas  de Violência Doméstica  (dois no Distrito de Aveiro, dois no Distrito de Braga e 12 no Distrito do Porto), rentabilizando os recursos já existentes nas instituições  parceiras.

A criação  de um Manual de Atendimento (a vitimas de violência doméstica)  permitiu a qualificação  e a uniformização  destes processos de atendimentos a vítimas  de violência doméstica. Por fim, a divulgação  da linha nacional de apoio da CIDM e as acções de sensibilização  permitiram o envolvimento da comunidade na resolução  da problemática.
O mais recente projecto promovido pela Associação  Soroptimist Internacional Clube Porto Invicta é o Projecto LAURA  -  Localizar, Avaliar, Unir, Reflectir, Agir - financiado pelo POEFDS  -  Programa Operacional Emprego, Formação  e Desenvolvimento Social, com duração  prevista para um período de 30 meses (de Julho de 2005 a Dezembro de 2007). Opera em 20 Concelhos do norte do país (Gondomar, Maia, Matosinhos, Paredes, Penafiel, Póvoa do Varzim, Porto, Valongo, Vila do Conde, Vila Nova de Gaia, Braga, Esposende, Guimarães, Vila Verde, Arcos de Valdevez, Caminha, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Chaves e Vila Real) e tem como objectivos: (1) investigar e conhecer a realidade destes Concelhos, de forma localizada e transversal e (2) sensibilizar e informar os diversos sectores da comunidade e partir para a Acção com base na promoção  de redes de parceria. 

Para isso, pretende desenvolver as seguintes acções:
1. Estudo sobre violência doméstica;
2. Acções de sensibilização  sobre a violência doméstica ;
3. Criação e manutenção  de Web site do projecto;
4. Sessões motivacionais para a importância do trabalho em rede de parcerias  
5. Reuniões de trabalho de dinamização, acompanhamento e apoio ‡s redes de parceria desenvolvidas;
6. Plataforma de e-learning como ferramenta de apoio essencial ‡s redes de parcerias;
7. Criação, produção  e envio de newsletter mensal do projecto;
8. Criação, produção  e disseminação  de folhetos informativos sobre a violência doméstica  (adaptados ‡ realidade de cada concelho).

A estratégia adoptada pelo LAURA para levar a cabo as acções referidas se fundamenta em cinco eixos:
- Proximidade: todas as acções serão realizadas na própria comunidade, ao nível do Concelho, envolvendo em cada Acção  instituições  locais;
- Transversalidade: o projecto irá actuar, simultaneamente, em vários segmentos estratégicos da comunidade (cidadãos adultos, jovens, comunidade étnica, decisores políticos e comunicação  social local);
- Comunicação  eficaz: a estrutura de comunicação  das acções ser• adaptada aos diferentes públicos-alvo;
- Conhecimento da realidade: todas as acções contribuirão, directa ou indirectamente, para os estudos a realizar;
- Visibilidade: através da concretização  das suas acções, o projecto aumentará a visibilidade da temática da violência doméstica.
((No Capítulo 6, especificamos como se desenvolveu esta intervenção no contexto de Braga.
Retirado de http://novorumo.info/ , acesso em 18/9/07)

FIM DE CITAÇÃO

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